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Vestir-se de si mesmo

Um filme me prende (ou não!) logo nos seus primeiros minutos. E na minha lista de leves com conteúdo (meus preferidos), um exemplo que diz muito bem a que veio logo de cara é  “O diabo veste Prada”. É antiguinho, eu sei, mas os clássicos não saem de moda, não é mesmo?.

Ao som de “Suddenly I see” (“Her face is the map of the world, is the map of the world..”), acompanhamos takes da rotina matinal de jovens novaiorquinas preparando-se para mais um dia de trabalho. De um lado, lingeries saídas de um catálogo da Victoria Secret, meias finas, saltos, maquiagens,  penteados, perfumes e roupas griffadas resultam em looks irretocáveis, que saem divando pelas ruas com seu tradicional copinho de café expresso e com um dedinho param um táxi. Em contraponto, a fofíssima protagonista veste-se com seu modelito “só não quero sentir frio”, passa um batonzinho, feliz da vida entra na padaria para comprar seu donuts highcarb, e em seguida encara o metrôzão.

Não precisa ser nenhum sherlock para perceber que esses dois mundos em algum momento irão colidir, depois entrarão em harmonia e no final ambos sairão transformados. Mas claro que ficamos torcendo para ver nossa patinho feio virar cisne. … afinal, quem não ama uma transformação?

Eu adoro! Houve uma época em que assistia a vários programas com esta proposta – Esquadrão da Moda, Mude meu Look, 10 anos mais jovem, Troca de Estilo… E tanto no filme quanto nos realities, o que soava mais interessante era perceber o quanto a renovação aparentemente externa acabava sacudindo o lado interno. O processo é sempre o mesmo, um primeiro momento de negação, “sou feliz assim, não preciso mudar”, depois uma crise “eu sou todx erradx mesmo e não vou conseguir”, daí uma catarse-flashback onde a pessoa percebe por que é assim, se aceita e decide tomar as rédeas, até chegar à glória de conseguir ser a melhor versão de si mesmx, e decidir que dali pra frente, tudo vai ser diferente.

De fato, quando estamos de bom-humor, animados e realizados temos mais ânimo para cuidar da aparência. Mas o contrário é possível? O simples fato de vestir-se melhor é capaz de melhorar nossa estima, nossa disposição, nossa vida?

Sou contra receitas de felicidade e fórmulas prontas, mas não nego o poder que sentir-se bonitx exerce na gente. Só que sentir-se bonitx tem muito mais a ver com sentir-se bem com sua aparência do que seguir modas e dress codes. E para descobrir o que lhe cai bem, haja autoconhecimento. Atire o primeiro scarpin quem nunca se sentiu inadequado por estar com a roupa errada, e por conta disso não conseguiu aproveitar o momento? E ao mesmo tempo… o que é a roupa errada? Voltando ao glamour de Hollywood, outro evento que amo é o Red Carpet. Sempre tem aquela atriz que é uma unanimidade de “arrasou” mas também sempre tem aquela que a gente pergunta “Meu Deus, quem deixou ela sair assim de casa?”. Confesso que prefiro essas. Seguir o padrão e ater-se ao estilo tomara-que-caia-de-cetim-preto-colar-brilhante-cabelo-preso-make-básico é fácil. Meus aplausos às que ousam, às que se expõem, às que tem algo a dizer, e não se resumem a ser apenas corretas. Como dizia Coco Chanel, “Para ser insubstituível, você precisa ser diferente”. Na verdade, você só precisa ser você, único e inimitável.

Este artigo tem 3 Comentários

  1. Gueta

    Ameiiiiiiii! Nao tem como nao se identificar. É exatamente esse processo que nos faz criar uma identidade própria! E claro que, o que vestimos fala muito sobre nós!

  2. Giselle l. Weber

    “Vertir se de mim mesma” arrasou! Disse tudo! Precisamos ser “inimitável”!!

  3. Adriana Souza

    Amei demais da conta! Arrasou!!!
    Nem tudo que é moda é bom ou combina conosco. Temos de descobrir o que nos “cabe” bem, seja no tamanho, no design, na expressão. E a moda é cíclica e volta repaginada (vide as calça boca de sino e a mini-saia). E se o que gostamos e nos cai bem (ainda) não é moda, vamos em frente… quem sabe acaba sendo, né?
    Aguardando ansiosamente o próximo textim…

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