Blog

Tiranossauro Rex

Deveria começar o primeiro texto do ano com leveza – um pedido especial da Lais. E então eu travei e procrastinei. Até que pensei no meu filho e pronto, tenho uma história.

Pedro é meu filho e tem 8 anos. Esperto, inteligente, adora heróis, Dragonball e… dinossauros. (Essa sou eu exercendo nas ultimas linhas o papel clássico de mãe babona…) Bom, fato é que ele dorme a noite toda como uma criança de 8 anos. Eventualmente acorda, mas já não dá pra comparar com um bebê pequeno.

Em uma bela noite, dormimos como em outra qualquer. Quer dizer, ele dormiu. Eu fui assistir Netflix e acabei dormindo tarde. Lá pelas tantas escuto pezinhos andando pela casa e fico atenta. “Ele acordou e foi ao banheiro”, pensei. Luzes acendem, escuto descarga… estou naquele estágio metade atenta, metade sonolenta. Escuto seus pezinhos voltando pro quarto e me permito dormir novamente.

Não sei quanto tempo se passou na realidade, mas pra mim foram 5 minutos. Escuto movimentação de novo… “ele acordou de novo?”, penso com a metade acordada do meu cérebro. Sim e dessa vez luzes da cozinha, porta da geladeira, alguma coisa cai no chão, o cachorro desperta e eu também. “O que houve?”, pergunto. “Tô com sede”. Hmm… mais alguns minutos e voltamos todos a dormir.

Poderia jurar que depois disso se passaram apenas 5 minutos mas meu sono era grande demais pra checar o relógio e escuto ele ~pela terceira vez~ andando pela casa. Automaticamente pensei “deee novooo???”. Barulho, passos, luzes, cachorro acorda… pronto, despertei de vez. Levanto, abro a porta do quarto e de lá mesmo dou um grito “o que ta acontecendo, Pedro? É hora de dormir!”.

Ele tomou um susto, claro. Disse que era sede/xixi… até que reagiu “Que issoooo! Parece um Tiranossauro Rex gritando”. Pronto, me desconcertou. Congelei por alguns segundos. Eu não sabia dava risada pelo que ele disse ou se brigava pelo pequeno zumbi filho que tinha acordado de madrugada. Nesse momento eu não soube como agir, congelei… só sei que voltamos a dormir. Foi o último despertar desta noite.

Fiquei pensando muito depois disso em como é ser um T Rex: é o maior dinossauro, é bravo, é feroz e grita. Eu fui tudo isso naquele momento em que o assustei na madrugada. Felizmente, minha versão T Rex só apareceu neste dia na percepção dele. Eu, mãe, respiro aliviada contando isso hoje.

E, em mais um alívio de tanta culpa que mãe carrega, hoje lembramos da história e rimos.

Afinal, quem nunca teve seu momento Tiranossauro Rex que atire a primeira pedra.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *