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O caos que antecede a criação

Esse mês minha coluna é sobre compras em brechós. Desde o começo sabia que não escreveria um texto dando dicas sobre como comprar em brechó. Não sou o tipo de pessoa que lê manuais, por isso não vou me propor a escrever um. Quem precisa ouvir mais uma vez que se deve analisar os tecidos, cortes e acabamentos?

Na hora que sentei pra começar a rabiscar, engasguei, e olha que esse é um assunto que falo e vivo muito. Precisei parar pra pensar em tudo o que sempre achei saber sobre o assunto. Gosto de repensar as coisas.

Decidi falar um pouco sobre como eu funciono em um brechó. Fácil? Falar que conheço todas as peças que possuo? Que entro num brechó e passo as mãos pelas araras pra sentir os tecidos e começar uma primeira conversa mais tátil do que visual? Que as roupas certas parecem se acender na minha frente como num filme? Era um pouco tudo isso, mas faltava falar no que me leva a comprar em brechós, além das camadas mais óbvias de valor e sustentabilidade.

Assim que comecei a rabiscar as ideias, as primeiras palavra que apareceram foram “autoconhecimento” e  “experimentação”. Fiquei com a sensação de que o autoconhecimento bloqueava a experimentação. Percebi que me conhecer é importante sim, porém não me conformo com o que acho que sei sobre mim. Essa inquietação me impulsiona a sempre experimentar coisas novas e até mesmo coisas antigas que torço o nariz.

A diferença entre uma loja e um brechó talvez seja que, na loja existe uma forte curadoria e um ordenamento que tenta me influenciar fortemente a seguir as tendências (aliás, tendência é uma palavra bem chata, tomei bode total) O brechó, é um lugar onde me divirto, onde sinto me autocriando, sendo minha própria curadora; ali, entre um milhão de opções desordenadas, decido o que quero. O caos que antecede a criação. E pra esse caos ficar potente, quero peças das mais variadas épocas, marcas, tecidos e texturas que representem as minhas mais variadas referencias visuais. Quando esse encontro acontece, rola aquela troca de olhares com a peça, um amor correspondido e a sensação que eu tenho é a de estar recebendo uma grande descarga de adrenalina.

Gosto de mergulhar nos brechós e usar todos os seus recursos. É como entrar num camarim ou num armário de Alice no País das Maravilhas e sair com um figurino original, ou simplesmente uma roupa que me faça me sentir bela. Sei que não é todo mundo que tem esse tipo de relação com o vestir, mas é assim que eu me relaciono com o que tenho e o que procuro.

Pra fechar, se eu for dar três dicas sobre brechós seriam: 1: pessoas que olham conscientemente se dão melhor, então treine seu olhar, não só com moda, mas com tudo o que te cerca, pois suas referências vão te ajudar muito a se divertir nesse momento; 2: experimente 3: faça amizades nos brechós, converse, escute, troque ideias.

Se você resolver visitar um brechó, me conta.

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