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Multipla escolha

Antes dos celulares terem câmera, tirar uma foto não era algo tão corriqueiro. Começando pela limitação do número de poses do filme (12, 24 ou 36), que nos fazia escolher muito bem o momento a ser registrado  – e dar sorte de não tremer!. Por este motivo (e por ser  filha caçula…) , o meu primeiro ano de vida se resume a umas 10 fotografias. Hoje, as primeiras 24h de qualquer bebê geram dezenas – ou centenas? – de fotos, vídeos, stories, todos amplamente reproduzidos via whatsapp e redes sociais. Quando essa criançada crescer, pouco provável que dê conta de rever todo esse material…

Fato que a tecnologia facilitou a geração de conteúdos, e com isso, nos vemos diariamente cercados de tantas opções em tudo que mal somos capazes de escolher. Passamos do LP com 12 faixas em cada lado para o acesso ilimitado ao Spotify; dos filmes reprisados à exaustão da Sessão da Tarde ao catálogo variadíssimo do Netflix; a boa e velha pizza do domingo pode agora ser substituída por diversas delícias disponíveis no Ifood; as comprinhas de shopping ganharam o mundo … e até para encontrar um date, as ofertas são ilimitadas. Já deu um espiadinha no Tinder hoje?

Sou da teoria de que sempre andamos para frente; penso que é injusto romantizar o passado e achar que antigamente era tudo melhor. As tecnologias são conquistas importantes e não dá mais para viver sem elas. Então, aprender a lidar com a avalanche de informações que recebemos diariamente é uma das nossas maiores necessidades atuais. Como filtrar o que de fato nos acrescentará, por estar alinhado com nossos interesses, ou por nos trazer novas ideias?

Não tem jeito: nossa capacidade de absorção é limitada, e o velho clichê de que quantidade não é qualidade é perfeito. Ao tentar dar conta de tudo, corremos o risco de sermos rasos. Quem nunca olhou para o armário cheio de roupas e pensou que não tinha nada para vestir? Ou sentou-se para ver um filme, com dez minutos achou chato, começou outro, desistiu… e não viu nada? E o cardápio cheio de pratos deliciosos, mas quando o pedido chegou o do acompanhante era muuuuito melhor? A verdade é que quando temos muitas opções, nenhuma parece boa demais. A solução talvez seja exatamente restringi-las, e ter em mente que, na maioria das vezes, quem faz algo ser bom somos nós. Escolheu? Vai fundo,  sem ficar no “e se…”. Vale para roupas, livros, filmes, comidas…

Aproveitando, dá próxima vez que estiver na frente do Netflix sem inspiração, que tal assistir a um documentário bem diferente? Deixo aqui a dica de “Minimalism”. Não é para seguir à risca, mas vale para repensar nossos padrões de consumo e conhecer um outro estilo de vida. Promete que vai assistir mais de dez minutos?

Este artigo tem 2 Comentários

  1. DENISE

    Adorei !
    São muitas opções para as nossas escolhas.
    A maior delas para mim é como gastar o precioso tempo da melhor forma possível
    Bjs

  2. Margaretha Ridzi Kathar

    A tecnologia nos obrigou e “desobrigou” de muitas coisas.
    bjs e obrigada pelo texto

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